segunda-feira, 26 de abril de 2010

O INTEMPESTIVO TROGLODITA REJEITADO

Eu nunca havia passado por nem uma situação semelhante à que passei naquela noite de sábado. Encontrava-me num moto-clube, em companhia de minha namorada. O moto-clube, como se diz, estava bombando. Havia gente saindo até pelos ladrões. No palco uma banda interpretava os clássicos do Rock. Diga-se de passagem, até que cantavam bem. Num dado momento,ela acendeu um cigarro. A fumaça incomodou-me, fazendo-me tossir. Aí, ela me disse que iria fumar a distância de mim, para que a fumaça não continuasse a me irritar as mucosas nasais. Levantou-se, saiu caminhando rumo ao palco, onde havia várias pessoas agitando o som. Segui-a. Ela nem se deu conta de que eu a acompanhava. Próximo ao palco, se encontrava um sujeito velhusco, cabelos brancos, barba comprida, igualmente branca. Ele estava caracterizado à maneira dos sócios de moto-clubes. O indivíduo aproximou-se de minha namorada, trocou uma ou duas palavras com ela, puxou-a e beijou-a nos lábios. Ela, atônita com aquela atitude inesperada do troglodita pretendente, empurrou-o.
- Eu estou com meu namorado! - fez ela.
Ele olhou para mim, fez que não havia acontecido nada, saiu. Ela, se vendo numa tremenda saia-justa, desculpou-se dizendo que jamais teria a intenção de me magoar. Eu, completamente aturdido, nem soube o que dizer a ela. Saímos das dependências do moto-clube. Ela não parava de me pedir desculpa, de modo que acabei sentindo um tremendo dó dela. Bem, o que você faria em meu lugar? Daria uns bons sopapos no sujeito? Olha, quanto a você não sei; mas eu concluí que ele é um intempestivo trogodita rejeitado, carente pra chuchu, que não vale à pena fazer qualquer coisa contra ele. Ele é mais digno de pena, que de ódio, pois não sabe nem conversar com uma mulher, aproximar-se dela e conquistá-la. Quiçá, pensa ele que vive ainda nos Tempos da Cavernas, nos quais o homem conquistava uma mulher, dando-lhe uma clavada na cabeça; depois a puxava pelos cabelos para a caverna e aí consumava a união.

segunda-feira, 22 de março de 2010

CABEÇA-DE-BRAGRE

Vi uma cena hilária, para não dizer, estúpida... O sujeito tinha aparência troglodita. Chegou à porta de um bar. Havia um cachorro velho deitado à entrada do estabelecimento. Este levantou-se, ficou ladrando para o sujeito. O indivíduo, de modos abrutalhados, tem corpo semelhante a um guarda-roupa. Certamente, o velho cão estava ladrando apenas para dizer a ele, que naquele território, por mais difícil que seja de alguém acreditar, ele ainda tomava conta dele. Dificilmente ele o morderia, uma vez que este tem dificuldade até para comer um pãozinho. Assim sendo, certamente, não correria risco de atacar aquele enorme guarda-roupa ambulante e acabar levando a pior.
O sujeito, porém, que deve ser um tremendo dum bunda-mole daqueles que só tem tamanho e sem-vergonhice, pegou um cone, que é usado para delimitar o lugar permitido para que os motoristas estacionem os automóveis,ameaçou bater no cão com ele. O dono do estabelecimento raiou com o cachorro, este permitiu que o troglodita adentrasse o bar. Após beber, acho que um rabo-de-galo, saiu.
O cão novamente pegou a ladrar, numa falsa atitude de que iria atacá-lo. Sabem o que o indivíduo fez? Pasmem! Sacou de um revólver, apontou para o cão. fiquei sem entender quem era menos racional, se o cão ou aquele troglodita. Sim, porque ameaçar uma pessoa com um revólver é uma coisa, visto que tal tem consciência do perigo que a arma representa. Mas ameaçar um animal? Que absurdo! Só posso concluir disso uma coisa - tal sujeito deve ter merda na cabeça ao invés de cérebro; porque não passa de um cabeça-de-bagre.

sexta-feira, 19 de março de 2010

O APITO SALVADOR

Nasci numa época em que tudo inspirava o fantástico - telenovela, Saramandaia, tele-seriados,Capitão Márvel, e as conversas em volta da fogueira, que quase sempre eram de lendas urbanas, como, por exemplo, A Loura do Banheiro.
Eu tinha oito anos, filha única, bajuda e paparicada pelos meus pais e, principalmente, pelos meus avós. Minha imaginação, bem-adubada por todas aquelas estórias que ouvia,era mui fértil.
Certa noite, ispirada pela estória da Loura do Banheiro, decidi dar um tremendo susto em minha mãe. Sorrateiramente, adentrei a cozinha, apanhei no armário uma caixa de maizena. Eu havia vestido uma camisola branca, maquiado uma mancha preta em torno dos olhos. Com um batom vermelho, tinha traçado alguns riscos, que desciam pelos meus lábios, dando a impressão que minha boca e o nariz sangravam. Depois coloquei na boca presas de vampiro, daquelas em forma de prótese. Para completar o fantasmagórico figurino, joguei maizena no rosto, fui para o banheiro.
Assim que mamãe entrou para tomar banho, abriu a divisória, deu de cara comigo. Emiti um pavoroso gemido, semelhante ao das almas-penadas. Ela arregalou os olhos, recuou dando um grito estridente de pavor, que senti até dor nos ouvidos.
- Ahhhhhhhhhhhh... Eu vou te pegar! Ahhhhhhhhhhhhhh...
- Cruz-credo! Valha! meu Deus! Que coisa horrorosa! - fez ela saindo às carreiras do banheiro.
Vez por outra, devido às minhas peraltices, mamãe me dava algumas palmadas. Eu ia chorar as pitangas para meu avô. Ele havia me dando um apito e me dissera que em caso de minha mãe querer me bater, era só eu apitar que ele viria me proteger.
Naquele dia, passado o susto, quando mamãe se dera conta de que o fantasmagórico vampiro era eu, em carne e osso, resolveu me dar um corretivo. Ela sai atrás de mim, num pega-não-pega dos diabos. Desesperada, lembrei-me do apito. À medida que corria, apitei várias vezes, na esperança que vovô viesse me socorrer. E vocês pensam que o velho veio? Que nada!
Minutos depois, ainda sentindo o bumbum ardendo devido às palmadas que levei, fui ter à casa dele. Encontrei-o bem folgado, estirado numa rede:
- Vovô, por acaso o senhor é surdo?
- Não, querida! Por quê?
- Ora, pois está parecendo que o senhor é surdo sim! Será possível que o senhor não me ouviu apitando, correndo desesperada pra me livrar da mamãe, e o senhor aqui deitado nesta rede dormindo sossegado. Faça-me o favor, né, vovô! Quer saber de uma coisa? Estou de mal com o senhor! - repliquei fazendo um muxoxo.
- Quiá, quiá, quiá, quiá! Não fica zangadinha, não, meu bem! Diga-me quem é a menina mais bonita deste bairro?
Eu me fiz de mouca, nada respondi!
- Ah! não quer dizer! Já sei... É uma menina que mora lá longe, perto do supermecado!
- Não é não, Seu bobo! Sou eu a menina mais bonita deste bairro! - repliquei cheia de empáfia.
Daí, vovô me abraçou, me beijou e a dor de meu bumbum passou e eu já estava pronta para outra...

terça-feira, 9 de março de 2010

PORRE

Existem pessoas que se julgam um dicionário ambulante, que conhecem todas as regras gramaticais, que jamais cometerão um deslize gramatical, tão comum no dia-a-dia dos simples seres humanos mortais. É um porre conviver com pessoas assim, que basta alguém dizer algo fora dos padrões da meta linguística da língua portuguesa que tal já pergunta num tom professoral:
- Que quê foi mesmo que você disse? Não se diz assim; mas assado e bla, bla, bla, bla...
Eu mesmo tenho um amigo assim. Ele tem horas que... enche... Certa feita, estávamos em um bar que ele tinha, chamado Bebê Cultura. Um dos circunstantes saudou uma mulher recem-chegada, dizendo que a havia visto em uma feijoada. Pronto! Não faltou mais nada para o camarada armar o circo:
- Então você viu ela na feijoada? Que parte que ela era - os pés, o rabo, ou a carne-seca? Quiá, quiá, quiá, quiá?
Até hoje ele continua achando que o sujeito cometeu um erro imperdoável, ao dizer que havia visto a mulher na feijoada. Eu, particularmente, não acho, porque entendi perfeitamente o que ele quis dizer. Mas fazer o quê, né? Tem pessoa que só entende o que quer entender...
De uma outra vez, eu me encontrava com aquele mesmo amigo dono do extinto Bebê Cultura. Mostrei a ele um livro de minha autoria, Se Você Sofre... Meus Parabéns! Ele começou a ler um dos contos do livro. Então ele se deparou com uma frase que dizia que a personagem tinha a nítida impressão que...
- Nítida impressão? - fez ele.
- Sim! - disse eu.
- Pois está errado, que o jeito certo de escrever é nítida imprenssão!
E o pior é que naquela hora cheguei a pensar que ele tinha razão. Depois, porém, consultei o dicionário e só então percebi que o "dicionário ambulante" registrava equivocadamente a maneira certa de grafar a plavra impressão.
A meu ver é raro quem não comete erros de gramática, uma vez que a língua portuguesa é muito complexa. Acho até uma besteira essa implicância que alguns têm com as pessoas mais simples, que não conseguem se expressar de acordo com as regras da língua padrão. Até mesmo porque quando alguém diz alguma coisa, normalmente atinamos o sentido do que este alguém quis dizer, independente dos erros de concordância verbal, nominal, numeral ou pronominal.
Agora o que me é difícil admitir são os erros contidos nos anúncios direcionados ao público, que muitas vezes são oriundos de importantes companhias, qual ao da CPTM (Companhia de Trens Metropolitanos) em razão dos transtornos causados por uma obra:
Desculpe o transtono!
Depois, não querem que o povo se expresse errado. Poupe-me o transtorno.

terça-feira, 2 de março de 2010

A TRAPAÇA

Este esquete deixo disponível a qualquer grupo teatral que estiver disposto a encená-lo. Para tanto, basta entrar em contato comigo pelo e-mail zedocafundo@bol.com.br ou pelo telefone 25243327.
Personagens: Vovó Vida, Senhora, Duas Almas, Vovô Nenê, Feirante.

(Vovó Vida está deitada dormindo. Senhora vem ter com ela).
Senhora - Vovó Vida, acorda, porque vim te buscar!
(Vovó Vida acorda, estremunhada e assustada).
Vovó Vida - Não, você?! Vai embora, que não quero nem li ver!
Senhora - Eu, ir embora? Nem morta, que quem irá morta será você, que chegou sua hora... Quiá, quiá, quiá, quiá!!!
Vovó Vida - Clemência, Senhora, eu não quero ir... Não quero! (faz ela num tom de voz suplicante e obstinado).
Senhora - Como não quer ir? Mas é preciso! Você terá que vir, quer queira sim, quer queira não e pronto! (replica a senhora, autoritariamente).
Vovó Vida - Não é à toa que meus pais me dertam o nome de Vida, que gosto tanto de viver...
Senhora - E eu não sei disso? Mas o fato é que estou pouco me lichando, porque você não poderá ficar pra semente. Terá que vir comigo e pronto!
Vovó Vida - Não... não podemos fazer um trato, Senhora? (Balbucia ela).
Senhora - Trato, que tratro?
Vovó Vida - Três dias é o tempo que lhe peço pra que eu possa satisfazer a vontade de comer algo que nunca comi; mas, que morro de vontade, ops, quer dizer, vivo cheia de vontade de comer e nunca pude.
Senhora - Mas não me diga, vovó! Neste caso a coisa munda completamente de figura... Eu jamais levaria você sabendo que seu último desejo não foi realizado. O que quê você deseja comer, Vovó?
Vovó Vida - Caviar!
Senhora - Caviar, uauuu!!! Que coisa mais chique, Vovó! Você não é fraca não, hem? Pra lhe dizer a verdade até eu tenho essa vontade; mas sabe como é, né? Com esse salariozinho mixuruco que ganho, não dá mesmo pra comprar, que ele está custando o olho-da-cara, né?
Vovó Vida - Eu que o diga! Acredito na Senhora! Mas e então, estamos combinadas?
Senhora - Sim! Estamos!
Vovó Vida - Ah... Antes de que me esqueça eu quero ressaltar uma cláusula importante de nosso contrato. A Senhora só poderá me levar durante a noite, quando eu estiver dormindo, exatamente daqui a três noites. Caso a Senhora passe do prazo, terá que adiar minha ida para lá, tá legal?
Senhora - Mas por que essa exigência agora?
Vovó Vida - Porque tenho pavor de partir com a Senhora. Só de pensar até me borro toda!
Senhora - Tá explicado! Por isso que desde que cheguei aqui tô sentindo um fedorzinho desagradável. Tudo bem... Farei como você pede, vovó borradeira. Techauzinho!
Vovó Vida - Techau!(Sorrindo, fazendo, em seguida, pelas costas da Senhora, uma careta, mostrando-lhe a língua e dando-lhe uma banana).
(Vovó Vida se apronta, pega o carrinho de feira, vai à feira).
Feirante - Óia as bananas, as mangas e os pêssegos, freguesa!
Vovó Vida - Quanto que é a dúzia de bananas, meu filho?
Feirante - Pra senhora, que é uma freguesa loira, bonita e simpática, "dois real e cinquenta"!
Vovó Vida - Putis grilo! Tud`isso! Sou loira bonita, né? Mas não sou burra não, meu filho! Mete a faca; mas mete devagar, tá bom? Deixa-me ver se essas bananas são boas mesmo.
( Ela pega uma banana e a come, joga a casca no chão. A Senhora chega por trás dela, bate a mão no seu ombro, trazendo consigo duas almas amarradas).
Senhora- E aí, Vovó! Que quê você tá fazendo aqui na feira?
Vovó Vida - Vim fazer umas comprinhas básicas!
Senhora - Mas pra que quê você tá fazendo compras se depois de amanhã eu vou te levar?
Vovó Vida - Ora bolas! Sei lá! Mi deu vontade, pô!
Senhora - A única coisa que você precisa comprar é caivar, mas pelo que sei aqui não vende!
Vovó Vida - Não quero ser descortês contigo; mas vou te dizer uma coisa - você é chata pra caramba, hem? Vê se me erra e venha me procurar somente daqui a duas noites. (faz ela, empurrando a Senhora, mandando-a embora. As duas almas fazem sinal de positivo , dando o maior apoio à Vovó Vida. A Senhora sai furiosa, pisa a casca de banana e cai. As almas caem na gargalhada, zombando da Senhora).
Senhora - Que merda! Tá cada vez mais difícil exercer esse meu ofício. Ninquém mais me respeita. E vocês, por que estão rindo? Não sou palhaça não! (Ela, meio que aparvalhada, tropeça e cai novamente, provocando novas gargalhadas e saem de cena. Vovó Vida também sai de cena, entra o marido dela).
Vovô Nenê - Ah! que preguiça! Véia, ô minha véia! Cadê você?
Vovó Vida - Tô aqui, meu véio! Que quê você quer? (Faz ela entrando em cena)
Vovô Nenê - Que você ligue a televisão pra mim!
Vovó Vida - Nenê, Nenê! Você tá muito preguiçosinho! Você tem que se mexer, que assim não dá, meu véio.
(Vovô Nenê começa a palapar o corpo).
Vovó Vida - Que quê você tá fazendo?
Vovô Nenê - Ué, você não mandou que eu me mexesse, pois então eu tô me mexendo.
Vovò Vida - Tolinho! Só você mesmo...To falando de sair, curtir a vida...
(Ela aproxima-se de Vovô Nenê, dá-lhe um beijo e acaricia-lhe os cabelos).
Vovó Vida - Você se lembra quando nós nos conhecemos? Era tão bom... Você me levava aos bailes todos os finais de semana, a gente dançava uma música após a outra.
Vovô Nenê - Sim, minha véia, mas naquele tempo eu não tinha essa artrose dos diabos que tá quase me matan`.
Vovó Vida - Psssssiu! (Exclama ela, pondo a mão na boca de Vovô Nenê). Não fala nela, que`ela pode escutar e vir me amolar...
Vovô Nenê - Nela quem, minha véia?
(A Senhora entra em cena, aproxima-se de Vovó Vida, puxando duas almas, que estão amarradas com uma corda).
Vovó Vida - Xiiii! Não li falei! É daquela péla-saco que eu tava falando! (Diz ela sussurando, apontando o dedo para a Senhora).
Vovô Nenê - Ela quem, que não tô vendo ninguém?
Senhora - Ah! meu Deus, além de véio é cego! Fala pra esse teu véio saí daqui, antes que resolvo levar ele primeiro que você.
Vovó Vida - Vai, meu véio, na cozinha buscá um copo de água bem gelada pra mim!
(Vovô Nenê sai)
Senhora - E, então, já comprou o caviar? Se não comprou é bom comprar, que o tempo urge, Vovó. E amanhã mesmo tendo choro e vela você haverá de vir comigo!
Vovó Vida - Amanhã, será amanhã! E quer saber de uma coisa? Você está começando a me dar nos nervos!
(Vovô Nenê traz o copo de água, dá à mulher).
Senhora - Tô li dando nos nervos, é? E o que quê você vai fazer, hem, meu bem?
Vovó Vida - Isso! (faz ela, jogando-lhe água na cara. As duas almas riem a bandeiras despregadas. Uma delas chega até a cair no chão). - Passa daqui, que a porta da casa é a serventia, e só me apareça aqui amanhã à noite, quando eu estiver dormindo. Não se esqueça de que esse foi o nosso trato.
(A Senhora se retira, dando alguns espirros, puxando as duas almas pela corda, que não param de zombar dela pelas costas, fazendo gestos de que ela se deu mal. As luzes se apagam, quando elas reacendem, Vovó Vida está se aprontando para sair. A Senhora vem ter novamente com ela).
Senhora - Já são vinte e uma horas! (Atichim!, espirra) - Por que não foi pra cama dormir, (atichim) confortme nós combinamos?
Vovó Vida - Ora, porque não tõ com sono! E quer saber de uma coisa? Hoje não vou dormir. Que quê aconteceu? Você parece que tá gripadinha?
Senhora - Tô sim, e por sua culpa, que me jogou aquele maldito copo de água gelada na cara. Mas, voltando ao nosso assunto, você tem que dormir, porque foi o que combinamos.
Vovô Vida -Puxa vida! Ficou doentinha, é? Tadinha! Tô morren`, quer dizer, tô cheinha de pena de você.
Senhora - Fingida, dissimulada! Pensa que eu não sei? Você tá mais é querendo que eu me exploda. Mas deixa de conversinha-mole e vai dormir, conforme nós combinamos.
Vovó Vida - Combinamos coisíssima nenhuma! Eu não disse que iria dormir; mas sim, que você só me levaria caso eu estivesse dormindo. Como não estou com sono, eu vou é pra balada com meu véio. Nenê, meu amor, tô pronta! Vamos!
(Nenê entra em cena, todo arrumado, dá-lhe o braço, cavalheiramente).
Vovô Nenê - Vamos, querida!
Vovó Vida - Vamos que a vida nos chama!
Senhora - Quer dizer que (Atichim) aquela história de caviar era tudo tapeação?
Vovó Vida - Quiá, quiá, quiá, quiá! Se era, minha filha! E você caiu que nem uma patinha. E você quer saber, esse taL de caviar é coisa pra burguês e pobre metido à besta. Prefiro mil vezes um vatapá ou então um acarajé!
Senhora - Você me enganou, Sua traiçoeira! Grarrrrrr!!! Ah! que ódio! (faz ela rangendo os dentes, cerrando os punhos, dando em seguida outro espirro).
Vovó Vida - Ah! sim! Quem avisa amiga é! Por isso, vai logo tratar desse resfriado, senão ele pode virar um peneumonia e te matar.
(Fecham-se as cortinas)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

VISITA AO TERCEIRO MUNDO

Bob Alison, riquíssimo empresário nova-iorquino, nunca havia visitado nem um país do "Terceiro Mundo". Tudo que ele conhece dessas nações são os lucros oriundos delas, resultado das muitas empresas que ele possui disseminadas pelas principais capitais do globo.

Desde a mais tenra idade, ele abraçou a carreira empresarial e fez disso a razão der sua existência. A mente dele funciona dia e noite sememelhante a um computador, fazendo novos projetos a fim de aumentar ainda mais seu imenso patrimônio.

Nos momentos de ócio, ele não consegue relaxar e aproveitar a vida, porque seus pensamentos continuam no escritório. Cheirar cocaína é a única maneira que ele encontrou para romper as amarras que o prendem ao mundo dos negócios. Para ele, o Céu se configura aqui mesmo nesta existência, e a América do Norte é o panteão, cujos deuses que o habitam têm o direito inalienável de governar o restante do mundo da maneira que lhes for conveniente.

Bob Alison se orgulha de ser um cidadão norte-americano. Dentre seus compatriotas não há quem defenda o neocolonialismo com maior eloquência que ele. Para justificá-lo, diz que a descendência inglesa de sua nação por si só já lhes dá esse direito, porque os britânicos são uma raça forte, que colonizara muitos povos; portanto, nada mais natural que darem continuidade a essa tradição.

Em Uma véspera de feriado, junto com alguns empresários amigos dele, fazem uma festa em uma cobertura de um magnífico arranha-céu. Eles contratam várias meretrizes para se "divertir". Como de costume, ele precisou inalar cocaína para conseguir se descontrair e participar do festim.

Uma bela morena, que se encontra entre o pessoal encareregado de distribuir os comes e bebes, fascina-o com seu caminhar sensual. Interroga a um garçom sobre quem é aquela jovem beldade. Ele lhe disse que ela havia chegado do Brasil recentemente. Ao saber que se tratava de uma brasileira, ele fica mais excitado ainda, porque sempre ouvira dizer que as mulheres dessa nacionalidade têm um jeito todo especial de fazer sexo.

Quando um de seus amigos nota que ele quer possuí-la, aconcelha-o a desistir dessa idéia, porque a moça não viera ali para se prostituir; além disso, há diversas garotas disponíveis naquele lugar. Alison responde ao companheiro que o Terceiro Mundo deve serví-los em todos os sentidos, porque ao longo dos tempos passados sempre fora regra os povos subalternos se submeterem aos seus senhores. Cita como exemplo "a prima noctis" da era feudal, que dava direito ao suserano feudal dormir com as noivas de seus servos na primeira noite de núpcias.

Pouco depois que disse isso, manda chamar a jovem e a convida para um drinque. A moça recusa a bebida, pede desculpa e diz a ele que se fizer isso, possivelmente, será demitida pelo seu superior. O empresário replica que ela poderá beber quanto quiser em sua companhia, sem qualquer receio de perder o emprego, porque naquele lugar é ele quem dita as regras do jogo. Mesmo assim a garota prefere abster-se da bebida. Bob Alison a leva para perto da piscina, sentam-se num banco e ele tira do bolso uma cápsula de cocaína. Pertgunta se ela não quer dar uma cheiradinha. Ela fica incomodada com a pergunta, respónde quie não usa drogas. Ele obstrui uma das fossas nasais, precionando-a com a polpa do dedo indicador, inala o pó alucinógeno com a outra, diz:

- Você não sabe o que está perdendo, meu bem!

Vizinhos a eles, dois caisai se despem, começam a copular. Dentro do apartamento todos praticam sexo grupal. Alison acaricia-lhe o antebraço, sobe a mão em direção ao pescoço dela. Em seguida, abre-lhe o primeiro botão da camisa, vê a parte superior dos seios da moça, envoltos por um sutiã branco, enfeitado com rendas nas partes superiores.

Juçara levanta-se do banco, dizendo que vai embora. Sai apressada, pulando por cima das pessoas que praticam sexo, deitadas no chão, ocupando todos os espaços do apartamento.

Dois seguranças enormes não a deixam sair. Levam-na de volta até o empresário. Bob Alison ainda continua sentado no mesmo lugar. Ele permanece assentado tranquilamente, diz à moça que de um jeito ou de outro ela vai ter que satisfazer seus caprichos dele. Portanto, o melhor que ela tem a fazer é ser "boazinha", tentar relaxar e aproveitar tudo da melhor maneira possível. Juçara se sente pressionada contra a parede. Sozinha em um páis estrangeiro, lutando para alcançar um padrão de vida melhor, sem ter alguém por perto para ajudá-la, ela temeu pela sua vida naquele momento e se viu compelida a satisfazer os caprichos do inescrupuloso empresário.

Quando tudo chegou ao fim, ele pegou um talão de cheque e uma caneta, preencheu um cheque vultosos e deu para ela. O interior dela está em caos; olha para a ordem de pagamento e a coloca em cima do assento, emite um suspiro profundo, cobre o rosto com as mãos e põe-se a chorar.

Depois daquilo, Bob Alison nunca mais foi o mesmo. Perdeu todo o interesse pelas mulheres norte-americanas e vive sonhando com as brasileiras. Compra revistas pornográficas e fitas de vídeo exportadas pelo Brasil.

O que parece impossível acaba acontecendo. Ele, que tem uma grande aversão pelo Terceiro Mundo, decide fazer uma viagem de turismo ao Brasil. Espera pelo Carnaval e quando ele chega, passa a administração de suas esmpresas às mãos de seu diretor auxiliar, faz as mala e vem conhecer o Gigante Adormecido da América do Sul, em companhia de um aio.

Oh! Caranaval! Quantas loucuras!... Diverte-se a valer, fazendo sexo todas as noites, com as mais belas mulheres que seus dollares conseguem comprar. Pretende voltar após a festa luxuriante; mas gostou tanto daqui que resolveu ficar mais alguns dias.

No decorrer desse tempo, acaba descobrindo que o Brasil é muito mais do que mulheres bonitas, samba, Carnaval, cerveja e futebol. Viaja através de vários estados, constata apesar do neocolonialismo, que seu país impõe ao nosso, possuímos uma cultura riquíssima que constiui uma verdadeira antítese em relação ao modus vivendi, que os yankees tentam nos impor.

Os encantos naturais desta terra o seduziram tanto, que ele termina indo a Amazônia, conhecer aquela região, que tanto capital lhe proporcionara através da exploração mineral e florestal. Quando embarcou em um navio e navegou pelo Rio Amazonas, achou-o espetacularmente belo. Por mais que se esforce não consegue associá-lo a outro caudal de sua terra natal. No momento em que a embarcação está passando perto de um hotel, localizado às margens do afluente em plena floresta, ele resolve se hospedar nele por alguns dias.

Nesta mesma parte da selva, algumas aldeias indígenas formaram uma confederação, com o objetivo de expulsarem os homens brancos invasores, que dia após dias estão invadindo seus territórios e destruindo o eco-sistema tão necessário às suas existências. O que mais o deixam furiosos, é o fato daquele hotel ter sido erigido em um local que eles consideram sagrado. De acordo com uma lenda, de uma das tribos, fora ali que "Maira Hu", criara o primeiro acenstral daquela etnia. O hotel inspira confiança. Ninquém imagina que ele possa ser atacado de uma hora para a outra.

Bob Alison caminha com seu aio pelas adjacências da hospedagem, observando a fauna e a flora, quando presencia a chegada de uma grande leva de guerreiros. Os dois fiacam terrificados e ao mesmo tempo curiosos, porque a cena parece ter saído de dentro de um filme holliwoodiano. O medo supera a curiosidade e os norte-americanos correm rumo ao hotel.

Um segundo grupo de aborígines sai do mato e os intercepta. Um dos bugres, que aparenta ser o chefe, diz aos outros para que os matem a golpes de borduna, que adversários tão insignificantes quanto a eles não merecem morrer seteados. O aoi recebe um golpe de tacape e cai morto diante de Bob Alison. Ao vê-lo prostrado, com a cabeça aberta, tingindo o solo de sangue, fica totalmente alucinado, pedindo que não o matem. Os índios ouvem-no dizendo e redizendo enquanto chora ajoelhado ao chão:

- Misteres, plise don`t mi killed-mi! ( Senhores, por favor não me matem!).

O mesmo bugre que havia mandado abatê-los a golpe de tacapes, achou-o covarde demais a ponto de desonrar aquele que o matar e decide poupá-lo. Deixam-no amarrado a uma árvore, atacam o hotel, massacra todos os hospedes e incedeiam a estalagem.

Bob Alison é levado por uma das tribos. Os índios lhe dão um nome no dialeto deles, que posteriormente ficará sabendo que significa o Filho do Medo. O mepresário jamais imaginou que fosse terminar sua vida daquela maneira. Fazem dele uma espécie de bobo da corte da aldeia; além disso, utilizam-no como escravo.

Ele nunca havia servido a ninguém em sua vida. Revoltado com sua situação, resolve fugir. Mas assim que divisa uma onça, volta correndo para a aldeia, gritando que havia visto uma enorme onça próximo à aldeia. alguns guerreiros adentram-se no mato e constatam que a mega-onça não passa de uma jaguatirica, a menor representante da espécie. Por causa disso, todas às vezes que alguém quer zombá-lo, brada:

- Olha a onça!

Sempre que os guerreiros saem para caçar, levam-no e quando abatem algum animal, colocam-no para transportar. Bob odeia servir de burro-de-carga para aqueles nativos.

De vez em quando ele se rebela, senta-se ao chão, cruza os braços e se nega a cumprir a tarefa que lhe é determinada. Quando isso acontece, não é preciso que façam muita coisa para que ele volte a trabalhar. Basta qualquer curumim, por mais pequeno que seja, apanhar um tacape e caminhar de encontro a ele. Alison levanta-se e recomeça a trabalhar no mesmo instante.

Depois do primeiro ano ele vai se acostumando com sua condição servil e passa a servir os nativos com diligência.

Através daquela convivência forçada, ele conhece um mundo totalemente ao oposto do dele. Com aquele povo, acaba descobrindo o que é a verdadeira liberdade. Naquele lugar, ninguém tem nada e ao mesmo tempo tem tudo... Para aquela gente a floresta representa o maior tesouro. Sabem conviver com o eco-sistema sem agredí-lo, adaptando-se a ele com grande sabedoria, adquirida ao longo de várias gerações.

Alison fica impressionadíssimo com o respeito que os nativos têm pelas crianças. Sempre que vão conversar com um curumim, abaixam para ficar em pé de igualdade com ele.

Quando consegue superar o oceano de preconceitos que jazia em seu ser, pode finalmente compara a cultura indígena com a civilizada e percebe quanto são falsos os valores que antes ele defendia, que na verdade só servem para justifiacar o despotismo yankee perante os outros povos. Aos poucos vai conquistando o respeito dos nativos e incorporando os costumes deles. Aprende a pescar, caçar. diferenciar frutos comestíveis dos não-comestíveis e a fazer armas. O aprendizado daquela cultura o transforma em um novo ser. Todos os seus temores vão sendo superados e submetem-no a um ritual de iniciação. Após submetê-lo a vários testes ardorosos o concideram guerreiro e o denominam de Andira, o Morcego, nome esse que lhe fora dado devido a radical metamorfose sociaL que ele sofrera, que pode ser comparada à desse animal.

Andira renascera também em sentimentos. Aprendeu a amar o seu próximo, chegando até mesmo a se apaixonar de verdade por uma das nativas da aldeia. Tamekum, o alvo de suas atenções, é uma das mais bonitas índias da taba. Um dia, Andira a pede em casamento para os pais dela. Eles não negam o pedido; porém, antes terá que dar-lhes prova de seu valor. Ele tem a oportunidade de dar as provas exigidas pelos futuros sogros numa grande festa do Quarupe, competido com outros guerreiros e várias provas desportivas, que inclui a uca-uca, espécie de sumô praticado pelos nativos.

Os dois se casam e vivem felizes. Após o nascimento de seu primeiro filho, chega às adjacências da aldeia uma grande empresa mineradora, que havia descoberto uma enorme mina de ouro. Todos os mananciais começam a ser dragados, os peixes morrem intoxicados pelo mercúrio, que é lançado na água, os animais fogem apavorados pelo barulho insurdecedor das dragas.

Os índios resolvem enfrentar os invasores, armam-se e vão de encontro aos inimigos. Assim que o confronto tem ínicio, muitos índios são mortos, pois os garimpeiros estão muito bem-armados, que já previam que isso fosse acontecer.

Não sendo possível expulsá-los, voltam para a aldeia, levando com eles seus mortos e feridos. Os garimpeiros decidem devastar a aldeia e se dirigem para lá. Quando eles chegam, armados de rifles, disparando tiros contra mulheres e crianças, Andira reconhece o líder do grupo. Corre na direção dele, grita:

- Bred ford,Dont`t you recongniz me? As you boss I ask you toquit with butchery! ( Bred Ford, você não está me reconhecendo? Na qualidade de teu chefe, ordeno que pare já com este massacre!).

Suas palavras não puderam ser ouvida devido aos estampidos das armas. Brad o vê; mas não o reconhece. Pensa que é um nativo se prorropendo para atacá-lo e atira nele.

Naquela mesma noite, ele faz uma festa para comemorar o extermínio dos nativos, sem desconfiar por um segundo sequer que havia matado seu patrão. Apenas uma coisa o intriga - o fato dele nunca ter visto antes um aborígine dos olhos azuis.