Er`um dia de firiado
Eu `tava mem``a toa.
Chico Mulatão propôis
Uma caçada das boa.
Saímo ca cachorrada.
Caí`uma fina garoa.
Os cães achar`uma pista
Dexada por um grâ tatu.
Saímo` n`encalço dele
No meio daquele matu.
Na frente tinh`u`arco-íris.
Nóis avistam`um caititu.
Esquecemo`até do tatu
Correm`atráis d`otra caça
Dano muitos tiro nela.
Mais pra nossa disgraça
A fina garo`engroçô
Transfromô numa chuvaça.
E nóis, que fomo caçá
Achamo só risfriado.
É... foi o dia da caça...
Agora,nos firiado,
Prifiro ficá na rede
A`rriscá pegá risfriado.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Seja Feita tua Vontade
É... eu estava ni sintino
Filiz pra de mais da conta
Pruque eu gostava muito
Do meu noiv`e tava pronta
Para mi casá co ele.
Eu ficava até tonta
Só di imaginá o titio
Co eu entra`na capela
De braço dado comigo.
Todos os dia uma vela
Pra Santantonh`eu cendia
Que pur mim sei qu`ele vela.
À midida que o casóro
Estava s`aproximano
Mamãe tav`intristeceno
Qu`eu vi`el`até lagrimano.
Que tá cunteceno, mamãe?
- Fiinha, li vi mamano
Cuidei d`ocê até hoje
Agora cê vai casá
Vai pra casa do seu marido.
Não quero li dá azá
Ca minha tristeza boba,
De viúva, que não quis casá;
Pra mió li cuidá;
Mas a solidão m`assusta.
- Confessô ela pra mim.
diss`a ela não s`assusta
Que co meu noivo vô falá
Sei que pra ele não custa,
Vim morá aqui com nóis.
Mamãe ficô exultante
Sabeno qu`ela não ia
Mais de mim ficá distante.
Cunversei com o Juvená
Longament`e mediante
Meus incaricidos rogo
disse que vinha morá
Ca gente quando casasse.
Fui na capela orá
Gradecê a Deus por tê dado
Esse moço bão pr`eu amá.
No dia do casamento
Mi aprontei, fiquei bela.
Na hora de nóis pô`as liança
O povaréu na capela
Ficô todo abobado
Que o noivo não tross`elas.
Disse que tinh`isquicido
Elas lá na casa dele.
Oxente! que faremo?
Priguntar`oiano pr`ele.
Brinadera, pessoá!
Prufiriu surrino ele.
Juvená bateu trêis palma.
Um pombo vei`avuano
Trazen`as duas liança.
O povo ficô`assuntano
Dimiran`aquela cena
Que durante muitos ano
Ninquém del`ia s`isquecê.
Não mi cabi`em mim de tanta
Aligria; mas dias depois
Vi no cimitéro tanta
Cova de criancinha lá
Que as pessoa nem s`espanta
Mais di vê aquela prova
Do descaso do pudê
Público, que não tá nem
Aí para arresolvê
O grã probrema da fome.
Será que não tem quem dê
Jeito nisso, meu Bom Deus?
Er`o qu`eu mi priguntava
Naquela hora, chegano
Na cova onde estava
Interrado Miguelin`,
Pertin`da que papai tava.
Chorano de sauda`deles
Cendi u`a vela e rezei
Um Pai-Nosso com mui fé
Pr`almas deles, que bem sei
Que está no Céu cos anjos.
Oh! Pai, que tá no Céu, fazei
De mim um grã instrumento
Pra que se cumpra Tua Vontade,
Que todos sinta a Graça
De vossa grã santidade,
Pra que teu povo si liberte
Da cruel bestialidade
Dos noss`algoz guvernante
Qu`invés de partí o pão
Tiram da noss`esfomeada
Boca, sem tê compaxão
Nem mesmo das criancinha
que morre neste sertão
Pela subnutrição.
A tapera que nóis vivia
Tav`em u`as terra devoluta
Que niguém por lá sabia
quem era o dono delas.
Porém, muit`anos fazia
Que eu e minha famia
Tava naquele lugá.
Voltano do cimitéro
Mi pus a dialogá
Co meu marido Juvená.
Tinh`eu que sempr`í buscá
Água bem longe de casa,
Que não tinha água perto
De nossa véia tapera.
Achô ele que o certo
Seria ele cava'um poço
Para nóis tê água perto
E eu não tê qu`í buscá
Ela longe da tapera.
Mas, aí, a água que deu
No poço, qu`ele cavô`era
Pasmem, tod`ocêis, petróleo!!!
Donde menos si ispera
- Como dizia meu papaizin`
- É que as coisa si sai...
Daí foi aquela luta
Aquele vai ou não vai
Pra nóis ganhá do guverno
A parte que calari os ai
De muitas criancinha pobre
Que morre de fome pruque
Não tem elas o que cumê.
Mas tão somente pruque
Nóis não tinha iscritura
E quem sabe também pruque
Achasse que nóis fosse matuto
Quisero`nos passá pra tráis,
Dizeno que nóis não tinha
Direito nenhum, qua aliáis
O que nóis tinh`er o de
Caí fora sem oiá pra tráis
Cas nossa mão abanano.
Lutam`e como lutamo!
No final daquela luta
Venceno nóis cabamo.
Todo aquele dinhero
Que ganhamo nóis usamo
Pra construí várias creche
Hospital e moradia
Pro meu povo sofredô
Que muito m`agradecia
Pruque nem mais u`a criança
Desnutrida lá morria
Filiz pra de mais da conta
Pruque eu gostava muito
Do meu noiv`e tava pronta
Para mi casá co ele.
Eu ficava até tonta
Só di imaginá o titio
Co eu entra`na capela
De braço dado comigo.
Todos os dia uma vela
Pra Santantonh`eu cendia
Que pur mim sei qu`ele vela.
À midida que o casóro
Estava s`aproximano
Mamãe tav`intristeceno
Qu`eu vi`el`até lagrimano.
Que tá cunteceno, mamãe?
- Fiinha, li vi mamano
Cuidei d`ocê até hoje
Agora cê vai casá
Vai pra casa do seu marido.
Não quero li dá azá
Ca minha tristeza boba,
De viúva, que não quis casá;
Pra mió li cuidá;
Mas a solidão m`assusta.
- Confessô ela pra mim.
diss`a ela não s`assusta
Que co meu noivo vô falá
Sei que pra ele não custa,
Vim morá aqui com nóis.
Mamãe ficô exultante
Sabeno qu`ela não ia
Mais de mim ficá distante.
Cunversei com o Juvená
Longament`e mediante
Meus incaricidos rogo
disse que vinha morá
Ca gente quando casasse.
Fui na capela orá
Gradecê a Deus por tê dado
Esse moço bão pr`eu amá.
No dia do casamento
Mi aprontei, fiquei bela.
Na hora de nóis pô`as liança
O povaréu na capela
Ficô todo abobado
Que o noivo não tross`elas.
Disse que tinh`isquicido
Elas lá na casa dele.
Oxente! que faremo?
Priguntar`oiano pr`ele.
Brinadera, pessoá!
Prufiriu surrino ele.
Juvená bateu trêis palma.
Um pombo vei`avuano
Trazen`as duas liança.
O povo ficô`assuntano
Dimiran`aquela cena
Que durante muitos ano
Ninquém del`ia s`isquecê.
Não mi cabi`em mim de tanta
Aligria; mas dias depois
Vi no cimitéro tanta
Cova de criancinha lá
Que as pessoa nem s`espanta
Mais di vê aquela prova
Do descaso do pudê
Público, que não tá nem
Aí para arresolvê
O grã probrema da fome.
Será que não tem quem dê
Jeito nisso, meu Bom Deus?
Er`o qu`eu mi priguntava
Naquela hora, chegano
Na cova onde estava
Interrado Miguelin`,
Pertin`da que papai tava.
Chorano de sauda`deles
Cendi u`a vela e rezei
Um Pai-Nosso com mui fé
Pr`almas deles, que bem sei
Que está no Céu cos anjos.
Oh! Pai, que tá no Céu, fazei
De mim um grã instrumento
Pra que se cumpra Tua Vontade,
Que todos sinta a Graça
De vossa grã santidade,
Pra que teu povo si liberte
Da cruel bestialidade
Dos noss`algoz guvernante
Qu`invés de partí o pão
Tiram da noss`esfomeada
Boca, sem tê compaxão
Nem mesmo das criancinha
que morre neste sertão
Pela subnutrição.
A tapera que nóis vivia
Tav`em u`as terra devoluta
Que niguém por lá sabia
quem era o dono delas.
Porém, muit`anos fazia
Que eu e minha famia
Tava naquele lugá.
Voltano do cimitéro
Mi pus a dialogá
Co meu marido Juvená.
Tinh`eu que sempr`í buscá
Água bem longe de casa,
Que não tinha água perto
De nossa véia tapera.
Achô ele que o certo
Seria ele cava'um poço
Para nóis tê água perto
E eu não tê qu`í buscá
Ela longe da tapera.
Mas, aí, a água que deu
No poço, qu`ele cavô`era
Pasmem, tod`ocêis, petróleo!!!
Donde menos si ispera
- Como dizia meu papaizin`
- É que as coisa si sai...
Daí foi aquela luta
Aquele vai ou não vai
Pra nóis ganhá do guverno
A parte que calari os ai
De muitas criancinha pobre
Que morre de fome pruque
Não tem elas o que cumê.
Mas tão somente pruque
Nóis não tinha iscritura
E quem sabe também pruque
Achasse que nóis fosse matuto
Quisero`nos passá pra tráis,
Dizeno que nóis não tinha
Direito nenhum, qua aliáis
O que nóis tinh`er o de
Caí fora sem oiá pra tráis
Cas nossa mão abanano.
Lutam`e como lutamo!
No final daquela luta
Venceno nóis cabamo.
Todo aquele dinhero
Que ganhamo nóis usamo
Pra construí várias creche
Hospital e moradia
Pro meu povo sofredô
Que muito m`agradecia
Pruque nem mais u`a criança
Desnutrida lá morria
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
BALAS TROCADAS
- Epa! Por que você jogou esse papel amassado na minha cabeça?
- Não está me reconhecendo, Francisco? - interrogou o outro passageiro.
- não, não estou!
- Sou aquele garoto que estudava o primário com você. Aquele que sentava na primeira fileira, próximo à mesa da professora, lembra? Aquele que você só ficava jogando bolotas de papel amassadas igual eu fiz contido agora. O mesmo que você chamava de babaca, que não sabia fazer outra coisa senão estudar, que um dia você disse a ele que o mundo é dos mais espertos, que melhor que ficar estudando igual a um bobo é ser malandro, colar e tirar boas notas e passar de ano numa boa.
- Sim, sim, agora me lembrei!
Ambos dialogam muito,recordando do tempo de criança. Quando saltam do metrô, vão a uma lanchonete. Francisco, após beber umas e outras, diz a Milton que havia sacado o FGTS. Milton conta-lhe que recebera o pagamento. Porém, este havia sido efetuado com um cheque. Ele diz que, por ser um final de semana, só poderá descontá-lo na segunda-feira. Por isso, se este lhe fizer o obséquio de trocá-lo, dará a ele cinguenta reais de gratificação.
- Milton, seu sem-vergonho, você me enganou! - brada Francisco no instante em que chega à cela, conduzido pelo carcereiro e o vê encarcerado. - Aquele cheque que você me deu era roubado.
- Balas trocada não dói, meu amigo! O dinheiro que você me deu também era falso.
- Não está me reconhecendo, Francisco? - interrogou o outro passageiro.
- não, não estou!
- Sou aquele garoto que estudava o primário com você. Aquele que sentava na primeira fileira, próximo à mesa da professora, lembra? Aquele que você só ficava jogando bolotas de papel amassadas igual eu fiz contido agora. O mesmo que você chamava de babaca, que não sabia fazer outra coisa senão estudar, que um dia você disse a ele que o mundo é dos mais espertos, que melhor que ficar estudando igual a um bobo é ser malandro, colar e tirar boas notas e passar de ano numa boa.
- Sim, sim, agora me lembrei!
Ambos dialogam muito,recordando do tempo de criança. Quando saltam do metrô, vão a uma lanchonete. Francisco, após beber umas e outras, diz a Milton que havia sacado o FGTS. Milton conta-lhe que recebera o pagamento. Porém, este havia sido efetuado com um cheque. Ele diz que, por ser um final de semana, só poderá descontá-lo na segunda-feira. Por isso, se este lhe fizer o obséquio de trocá-lo, dará a ele cinguenta reais de gratificação.
- Milton, seu sem-vergonho, você me enganou! - brada Francisco no instante em que chega à cela, conduzido pelo carcereiro e o vê encarcerado. - Aquele cheque que você me deu era roubado.
- Balas trocada não dói, meu amigo! O dinheiro que você me deu também era falso.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
GRAÇA REDENTORA
Depois que o meu paizin`
Foi lá par`o Beleléu
Lugar aquele que sei
Que é um cantin`do Céu
As coisa se complicaro
Ficaro amarga qual fel
Para a minha mamâezinha.
Daí, tev`ela que tirá
Eu da escolinha da fessora
Ineiz, pra mim ajudá
Ela trabaiá na roça.
E lá ia eu capiná
Trocano as brincadera
Ca minha linda bunequinha
De pano, que o papai dexô
Pra mim, pruque ele tinha
Um imens`amô por mim
Que mi fazia tão filizinha,
Pela dur`e rud`inxada.
Mas a mamãe s`abalava
Pra igreja no domigo
Consigo ela mi levava.
Lá, eu via o meu amiguin`
Do tempo qu`eu estudava.
N`escola todos mangava
Dele, pruque ele era
Defeituoso duma perna,
Zaroin`, mas é de vera
El`er`a pessoa mais pura
Que já vi na noss`isfera
Terrestre, meus bons amigo
Isso eu posso afirmá.
Veiz ou outr`em cas`el`ia
Para tentá m`insiná
As lição qu`el`aprendia
N`escola do nosso lugá.
Ah! meu Deus! como eu queria
Estudá e me formá
Sê também uma fessora.
Mas a vida m`era má.
Tinha que ced`acordá
Pra ì pra roça labutá.
E assim eu fui cresceno
Sem tê tempo de sê criança
Sem tê direito a sonhá...
Mas eu tinh`a esperança
Que a coisa ia mudá.
Um dia fomo numa dança
De quadria de São João.
Fiz par com meu amiguin`
Miguelin` e daçamo muito.
Depois sentam'um poquin`
Pra gente si discansá
Bateno um bom papin`.
Cunversa vai, cunversa vem
Foi quando ele me disse
Qu`ele quiria si casá
Cumigo quando crescesse.
Ele tomô minha mão.
Todo chei de meiguice
Mi bejô na minha face.
Diss`a ele qu`eu também
Quiria sê sua mulé
Chaman`ele de meu bem.
Mas Deus, que regi o destino
De nosssas vida, porém
Não permitiu que foss`assim.
Oh!tristeza! Tadin`! Miguelin`
Meu amiguin`,que`eu amava
Também foi pro Beleléu
Inda piquinin`, tão criança.
A caus`o dotô Lionel
Disse que foi a miseráve
Da brutá subnutrição
Que já levô tanta criança
Dest`ingrat`ermo sertão
Sem que ninguém faça nada
Pra miorá a situação.
Eu não aceitava isso.
Fiquei de mal com o Papai
Do Céu, que primero tinha
Levado meu amad papai;
Agora, meu bom Miguelin`.
Será qu`Ele não via os ai
Prantiados no escuro
Dessa sua fia sofredora
Que já não guentava mais
Sofrê com`uma pecadora
Que não merece perdão?
Mas sua graça redentora
Qu`iria mi confortá
Eu inda ia recebê.
Numa bunita prucissão
Que cês deve di sabê
Que acuntece na Semana
Santa, que a gente vê
Crianças e adultos vestido
Com roupa qui nem as d`anjo.
Pur tudo qu`é mais sagrado
Vi o São Miguel arcanjo
Com meu pai e Miguelin`
Iluminados qual anjo
No meio da prucissão.
Acenaro para mim
Jogando-mi mui beijin`s
Que virarô fulô de jasmim
Que mi vinham flutuano
E caíam sobre mim.
Desde aí, então, eu fiz
As paiz com o Supremo
Pois bem sei que mais tarde
Ou mais cedo nóis iremo
Todos está com Ele.
Daí, nóis não mais sofreremo.
Foi lá par`o Beleléu
Lugar aquele que sei
Que é um cantin`do Céu
As coisa se complicaro
Ficaro amarga qual fel
Para a minha mamâezinha.
Daí, tev`ela que tirá
Eu da escolinha da fessora
Ineiz, pra mim ajudá
Ela trabaiá na roça.
E lá ia eu capiná
Trocano as brincadera
Ca minha linda bunequinha
De pano, que o papai dexô
Pra mim, pruque ele tinha
Um imens`amô por mim
Que mi fazia tão filizinha,
Pela dur`e rud`inxada.
Mas a mamãe s`abalava
Pra igreja no domigo
Consigo ela mi levava.
Lá, eu via o meu amiguin`
Do tempo qu`eu estudava.
N`escola todos mangava
Dele, pruque ele era
Defeituoso duma perna,
Zaroin`, mas é de vera
El`er`a pessoa mais pura
Que já vi na noss`isfera
Terrestre, meus bons amigo
Isso eu posso afirmá.
Veiz ou outr`em cas`el`ia
Para tentá m`insiná
As lição qu`el`aprendia
N`escola do nosso lugá.
Ah! meu Deus! como eu queria
Estudá e me formá
Sê também uma fessora.
Mas a vida m`era má.
Tinha que ced`acordá
Pra ì pra roça labutá.
E assim eu fui cresceno
Sem tê tempo de sê criança
Sem tê direito a sonhá...
Mas eu tinh`a esperança
Que a coisa ia mudá.
Um dia fomo numa dança
De quadria de São João.
Fiz par com meu amiguin`
Miguelin` e daçamo muito.
Depois sentam'um poquin`
Pra gente si discansá
Bateno um bom papin`.
Cunversa vai, cunversa vem
Foi quando ele me disse
Qu`ele quiria si casá
Cumigo quando crescesse.
Ele tomô minha mão.
Todo chei de meiguice
Mi bejô na minha face.
Diss`a ele qu`eu também
Quiria sê sua mulé
Chaman`ele de meu bem.
Mas Deus, que regi o destino
De nosssas vida, porém
Não permitiu que foss`assim.
Oh!tristeza! Tadin`! Miguelin`
Meu amiguin`,que`eu amava
Também foi pro Beleléu
Inda piquinin`, tão criança.
A caus`o dotô Lionel
Disse que foi a miseráve
Da brutá subnutrição
Que já levô tanta criança
Dest`ingrat`ermo sertão
Sem que ninguém faça nada
Pra miorá a situação.
Eu não aceitava isso.
Fiquei de mal com o Papai
Do Céu, que primero tinha
Levado meu amad papai;
Agora, meu bom Miguelin`.
Será qu`Ele não via os ai
Prantiados no escuro
Dessa sua fia sofredora
Que já não guentava mais
Sofrê com`uma pecadora
Que não merece perdão?
Mas sua graça redentora
Qu`iria mi confortá
Eu inda ia recebê.
Numa bunita prucissão
Que cês deve di sabê
Que acuntece na Semana
Santa, que a gente vê
Crianças e adultos vestido
Com roupa qui nem as d`anjo.
Pur tudo qu`é mais sagrado
Vi o São Miguel arcanjo
Com meu pai e Miguelin`
Iluminados qual anjo
No meio da prucissão.
Acenaro para mim
Jogando-mi mui beijin`s
Que virarô fulô de jasmim
Que mi vinham flutuano
E caíam sobre mim.
Desde aí, então, eu fiz
As paiz com o Supremo
Pois bem sei que mais tarde
Ou mais cedo nóis iremo
Todos está com Ele.
Daí, nóis não mais sofreremo.
sábado, 31 de outubro de 2009
O DIA QUE PAPAI FOI PRO BELELÉU
Há coisas que acontece
Nesta vida, que a gente
Nunca, nunca mais s`esquece.
Eu fui muito descontente
Para minha primer`aula.
Fiquei n`aula renitente
Quereno voltá pra casa.
Sim, porque até então
Eu não er`acostumada
Ficá longe d`atenção
Dos meus querido genitor.
Ah! como me foi tão bão
Quand`aula terminô.
Papai veio me buscá.
Quando lhe vi no portão
Na hora parei di chorá.
Corri par`os braço dele
Par`ele mi confortá.
Que carinh`essa, quirida
Cê parece que chorô?
Mi priguntô`ele surrino.
Eu fiz mesm`um chororô
Que o medo qu`eu sentia
Nhô n`é capaiz de supô.
Medo de quê, fiotinha?
De que o Nhô não viesse
Mais mi buscá, papaizinho!
Ora, fiinha, esquece
Isso que o papai jamais
Da sua fiinha esquece.
Ele mi feiz prometê
Que n`escola não iria
Mais ficá lá só chorano
Que eu mi esforçaria
Para aprendê tudinho
Que a mestra m`ensinaria
Que, quem sab`um dia eu
Também fessora seria.
Aos poco fui m`acostumano
Ca fessor`e ca gritaria
Dos aluno no recreio.
Eles todos sempre ria
Zomabano d`um garotinho
Qu`era meio zaroinho
Que mancava d`uma perna.
Por sê`ele diferentinho
Todos li maltratava tanto
qu`eu tinha dó, coitadinho!
Tava sempre jururu
sozinho no seu cantinho
Temeno sê molestado.
Aí, eu com muito jeitinho
Fui m`aproximano dele.
Nos tornamo amiguinho.
Daí, havi`um menino grande
Que com ele invocava
Chaman`ele de perneta
Cegueta e sempre dava
Vários cascudo nele.
Um dia quando a gente tava
Na hora do nosso lanche
No pátio da noss`escola
Ele pegô`a provocá
O coitado do Beiçola,
Que além de sê perneta,
Zaroio, não tinha n`escola
quem lá tivesse maió
Lábios do que os dele.
Pur isso colocaro
Esse apelido nele.
Eu nunca vi`os seu defeito
Pois muito gostava dele.
Tomei`as dô de meu amigo.
Dei um chute no Zelão
Que pegô bem na canela.
foi aquela gozação
dos aluno pra cima
Do safado do Zelão.
Daí, ninguém mais quis mexê
Com o meu bom amiguinho.
Um dia, no final da aula
Eu não vi meu papaizinho
M`esperano no portão.
Em seu lugá tav`um vizinho.
Fiquei mei`apreensiva.
Perguntei do meu paizinho.
Ele me disse que papai
Tava meio cansadinho.
Por isso que lhe pedira
Pra fazê o favozinho
De vim mi buscá n'escola.
Não creditei totalmente
No que ele me dissera.
Sabe quand`a gente sente
Aquel`aperto no peito
Que por mais ca gente tente
Dizê que tá tudo bem
A gente sabe que não
Está, que tem alg`errado?
Eu tin`essa sensação
Que aumentav`à medida
Que próximo do portão
De minha cas`eu chegava.
O vizinho convidô
Eu pra í na casa dele.
A mamãe mi avistô
Di dentro da nossa casa
Pelo vidro do vitrô.
Vi qu`ela tava chorano.
Fique`inda mais receosa.
O vizinho mi dizia
Que queria tê uma prosa
Comigo na casa dele.
Disse qu`eu não queria prosa
Queri`era vê meu paizinho.
Com mui jeit`entristecido
Deu-m`a infeliz notícia
Que papai tinha falecido.
Na hora meu coração quase
Que parô enfraquecido
Pelo choque da notícia.
Aí, mamãe veio tê
Cumigo, mi abraçô
Mi levô pr`eu vê
O corpo do meu paizinho.
Não conseguia mi contê
Ven`ele deitad`imóvel
Dento de uma grâ rede
Tod`enfeitado com flô.
Encostei-me na parede
Pus a chorá que nem loca.
Parecia que a parede
Etendia o meu sofrê,
Que me dizia que papai
Não havia falecido
que eu parasse cos meu ai
Que pro Beleléu tinh`el`ido
Pruque tudo pra lá vai
Que prezamo pra tá sempre
Bem cá do nosso ladinho.
Hoje, mais do que nunca sei
Que o imenso carinho
que sinto pela sua memória
Faiz qu`el`esteja vivinho
Pra sempre dentro de mim.
ah! paizinho! que saudade!
Um dia também irei
Pro Beleléu e a saudade
Que sinto d`ocê matarei
Pra sempre n`eternidade.
Nesta vida, que a gente
Nunca, nunca mais s`esquece.
Eu fui muito descontente
Para minha primer`aula.
Fiquei n`aula renitente
Quereno voltá pra casa.
Sim, porque até então
Eu não er`acostumada
Ficá longe d`atenção
Dos meus querido genitor.
Ah! como me foi tão bão
Quand`aula terminô.
Papai veio me buscá.
Quando lhe vi no portão
Na hora parei di chorá.
Corri par`os braço dele
Par`ele mi confortá.
Que carinh`essa, quirida
Cê parece que chorô?
Mi priguntô`ele surrino.
Eu fiz mesm`um chororô
Que o medo qu`eu sentia
Nhô n`é capaiz de supô.
Medo de quê, fiotinha?
De que o Nhô não viesse
Mais mi buscá, papaizinho!
Ora, fiinha, esquece
Isso que o papai jamais
Da sua fiinha esquece.
Ele mi feiz prometê
Que n`escola não iria
Mais ficá lá só chorano
Que eu mi esforçaria
Para aprendê tudinho
Que a mestra m`ensinaria
Que, quem sab`um dia eu
Também fessora seria.
Aos poco fui m`acostumano
Ca fessor`e ca gritaria
Dos aluno no recreio.
Eles todos sempre ria
Zomabano d`um garotinho
Qu`era meio zaroinho
Que mancava d`uma perna.
Por sê`ele diferentinho
Todos li maltratava tanto
qu`eu tinha dó, coitadinho!
Tava sempre jururu
sozinho no seu cantinho
Temeno sê molestado.
Aí, eu com muito jeitinho
Fui m`aproximano dele.
Nos tornamo amiguinho.
Daí, havi`um menino grande
Que com ele invocava
Chaman`ele de perneta
Cegueta e sempre dava
Vários cascudo nele.
Um dia quando a gente tava
Na hora do nosso lanche
No pátio da noss`escola
Ele pegô`a provocá
O coitado do Beiçola,
Que além de sê perneta,
Zaroio, não tinha n`escola
quem lá tivesse maió
Lábios do que os dele.
Pur isso colocaro
Esse apelido nele.
Eu nunca vi`os seu defeito
Pois muito gostava dele.
Tomei`as dô de meu amigo.
Dei um chute no Zelão
Que pegô bem na canela.
foi aquela gozação
dos aluno pra cima
Do safado do Zelão.
Daí, ninguém mais quis mexê
Com o meu bom amiguinho.
Um dia, no final da aula
Eu não vi meu papaizinho
M`esperano no portão.
Em seu lugá tav`um vizinho.
Fiquei mei`apreensiva.
Perguntei do meu paizinho.
Ele me disse que papai
Tava meio cansadinho.
Por isso que lhe pedira
Pra fazê o favozinho
De vim mi buscá n'escola.
Não creditei totalmente
No que ele me dissera.
Sabe quand`a gente sente
Aquel`aperto no peito
Que por mais ca gente tente
Dizê que tá tudo bem
A gente sabe que não
Está, que tem alg`errado?
Eu tin`essa sensação
Que aumentav`à medida
Que próximo do portão
De minha cas`eu chegava.
O vizinho convidô
Eu pra í na casa dele.
A mamãe mi avistô
Di dentro da nossa casa
Pelo vidro do vitrô.
Vi qu`ela tava chorano.
Fique`inda mais receosa.
O vizinho mi dizia
Que queria tê uma prosa
Comigo na casa dele.
Disse qu`eu não queria prosa
Queri`era vê meu paizinho.
Com mui jeit`entristecido
Deu-m`a infeliz notícia
Que papai tinha falecido.
Na hora meu coração quase
Que parô enfraquecido
Pelo choque da notícia.
Aí, mamãe veio tê
Cumigo, mi abraçô
Mi levô pr`eu vê
O corpo do meu paizinho.
Não conseguia mi contê
Ven`ele deitad`imóvel
Dento de uma grâ rede
Tod`enfeitado com flô.
Encostei-me na parede
Pus a chorá que nem loca.
Parecia que a parede
Etendia o meu sofrê,
Que me dizia que papai
Não havia falecido
que eu parasse cos meu ai
Que pro Beleléu tinh`el`ido
Pruque tudo pra lá vai
Que prezamo pra tá sempre
Bem cá do nosso ladinho.
Hoje, mais do que nunca sei
Que o imenso carinho
que sinto pela sua memória
Faiz qu`el`esteja vivinho
Pra sempre dentro de mim.
ah! paizinho! que saudade!
Um dia também irei
Pro Beleléu e a saudade
Que sinto d`ocê matarei
Pra sempre n`eternidade.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
PEQUENA GRANDE MALDADE
Tod`às vezes que o papai
Lá na fêra mi levava
Sempre vi`uma nuvidade...
Ah! com`ele me amava!
Me fazia cada surpresa
Qu`eu simplesment`adorava.
Certa vez chegou em casa
Me disse, minha fiinha
Hoje vô levá`ocê na fêra.
Disse-me que ele tinha
Té comprado um cavalo
qu`eu fosse dá`u`a oiadinha.
Saí toda lamper`aos grito
De alegria, correndo
Para o nosso terreiro.
Cadê`le, qu`eu não tô veno?
Lá, fiinha, lá, fiinha!
Disse-me el`apontando
Co ded`u`a vara cumprida
Encostada em um canto.
eu fiquei boquiaberta
Oiano com grand`espanto.
Cê gostô dele, fiinha?
É um cavalão e tanto...
Foi como s`o dedo dele
foss`u`a vara de codão
D`uma poderosa fada.
A vara num alazão
Naquel`instante trasformô.
Tomô-m`ele pela mão
Levô`eu pra perto do brioso.
Ele muntô no cavalo
Mi colocô na garupa.
Aí, minino, nem li falo
A emoção qu`eu sentia
Trotano num desabalo
Agarrada na cintura
Dêl`a surrir mi sintino
U`a verdadera PRINCESA
Que co rei pai estav`ino
Dar um passeio matinal.
Às veiz oiava surrino
Para mim, mi priguntava:
Cê tá gostan`amozinho?
Eu, todinha derretida
Dizia - muiiito, paiiizinho!
e quando men`esperava
chegam`à fêra rapidinho.
Naquele di`as pessoas
Tava tudo lá comprano
Um tar de picolé.
Papai ficô mi oiano,
Ca boca toda chei d`água
Qu`eu tava até salivano.
Então, ele riu, me disse
Que daquela veiz daria
Para comprá para nóis.
Ah! como foi grand`alegria
Que senti naquele dia
Qu`eu jamais esqueceria.
Comprô trêis das ansiada
guloseima e as guardou
Enroladas num pedaço
De pano na bols`e falou:
Quando nóis chegá em casa
Pra sua mãe e pr`oc`eu dou!
Quando nóis chega`em casa
Num cantinho da cozinha
A bolsa ele colocou.
Abraçô mi`a mamâezinha
Deu-lh`um prolongado bejo.
Eu, toda desesperadinha
Loquinha pra dar pra ela
A gostosa guloseima
Que nóis troxe lá da fêra
Peguei logo numa teima
De puxá a saia dela.
Papai, e a guloseima?
Pera, fiinha, já pego!
Mimosa, nossa gatinha
Deitad`ao lado da sacola
Dava uma durmidinha.
Papai pisou sem querê
Bem em cima da caudinha
Da coitada da bichana.
Deu él`um miado, pulou
Para cima de meu colo.
Papai lhe acariciou,
Pediu perdão à gatinha.
mas quando o papai pegou
O pano ca nossa surpresa
Ela tinha si sumido
Tão misteriosamente...
Quiçá, pro Beleléu ido...
Pus a culpa na gatinha
Achano que tinha comido
Nossa gostosa surpresa.
Pensei lá cos meu botão:
Não vô batê n`ocê, gata
Pruque paim li de`um pisão
Que cê mereceu, gulosa!
Dei-lhe um bom esmpurrão
De riba do meu colinho
Gritei pr`ela caí fora.
Foiess'a primeira pequena
Grã maldade, que agora
que sei que sorvete derrete
Fiz naquela madit`hora.
Lá na fêra mi levava
Sempre vi`uma nuvidade...
Ah! com`ele me amava!
Me fazia cada surpresa
Qu`eu simplesment`adorava.
Certa vez chegou em casa
Me disse, minha fiinha
Hoje vô levá`ocê na fêra.
Disse-me que ele tinha
Té comprado um cavalo
qu`eu fosse dá`u`a oiadinha.
Saí toda lamper`aos grito
De alegria, correndo
Para o nosso terreiro.
Cadê`le, qu`eu não tô veno?
Lá, fiinha, lá, fiinha!
Disse-me el`apontando
Co ded`u`a vara cumprida
Encostada em um canto.
eu fiquei boquiaberta
Oiano com grand`espanto.
Cê gostô dele, fiinha?
É um cavalão e tanto...
Foi como s`o dedo dele
foss`u`a vara de codão
D`uma poderosa fada.
A vara num alazão
Naquel`instante trasformô.
Tomô-m`ele pela mão
Levô`eu pra perto do brioso.
Ele muntô no cavalo
Mi colocô na garupa.
Aí, minino, nem li falo
A emoção qu`eu sentia
Trotano num desabalo
Agarrada na cintura
Dêl`a surrir mi sintino
U`a verdadera PRINCESA
Que co rei pai estav`ino
Dar um passeio matinal.
Às veiz oiava surrino
Para mim, mi priguntava:
Cê tá gostan`amozinho?
Eu, todinha derretida
Dizia - muiiito, paiiizinho!
e quando men`esperava
chegam`à fêra rapidinho.
Naquele di`as pessoas
Tava tudo lá comprano
Um tar de picolé.
Papai ficô mi oiano,
Ca boca toda chei d`água
Qu`eu tava até salivano.
Então, ele riu, me disse
Que daquela veiz daria
Para comprá para nóis.
Ah! como foi grand`alegria
Que senti naquele dia
Qu`eu jamais esqueceria.
Comprô trêis das ansiada
guloseima e as guardou
Enroladas num pedaço
De pano na bols`e falou:
Quando nóis chegá em casa
Pra sua mãe e pr`oc`eu dou!
Quando nóis chega`em casa
Num cantinho da cozinha
A bolsa ele colocou.
Abraçô mi`a mamâezinha
Deu-lh`um prolongado bejo.
Eu, toda desesperadinha
Loquinha pra dar pra ela
A gostosa guloseima
Que nóis troxe lá da fêra
Peguei logo numa teima
De puxá a saia dela.
Papai, e a guloseima?
Pera, fiinha, já pego!
Mimosa, nossa gatinha
Deitad`ao lado da sacola
Dava uma durmidinha.
Papai pisou sem querê
Bem em cima da caudinha
Da coitada da bichana.
Deu él`um miado, pulou
Para cima de meu colo.
Papai lhe acariciou,
Pediu perdão à gatinha.
mas quando o papai pegou
O pano ca nossa surpresa
Ela tinha si sumido
Tão misteriosamente...
Quiçá, pro Beleléu ido...
Pus a culpa na gatinha
Achano que tinha comido
Nossa gostosa surpresa.
Pensei lá cos meu botão:
Não vô batê n`ocê, gata
Pruque paim li de`um pisão
Que cê mereceu, gulosa!
Dei-lhe um bom esmpurrão
De riba do meu colinho
Gritei pr`ela caí fora.
Foiess'a primeira pequena
Grã maldade, que agora
que sei que sorvete derrete
Fiz naquela madit`hora.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
TRISTE REALIDADE
Ontem - dia 27/10/09 - estive em uma reunião do Projeto Efervescência Cultural, que aconteceu no anfiteatro da sab-prefeitura de Itaquera. Ele é um projeto idealizado para dar apoio às pessoas que produzem cultura na região de Itaquera, mas que abre espaço para os artistas de outras regiões. Foi bastante gratificante estar lá, que além de demonstrar um pouco de minha poesia, ainda fiquei sabendo que poderei anunciar em um SITE o trabalho que desenvolvo como escritor e editorador de textos literários.
Num dado momento, um dos presentes disse que para que nosso trabalho aconteça é necessário que façamos barulho... Que, no meu caso, meus livros têm que ser visto, analizado, que, dependendo, devo melhorá-los ou até piorá-los para que caia no gosto do público. Ressaltou que terei que utiliar palavras de baixo calão em minhas obras. A meu ver não existe nada mais abjeto para um artista que expressar aquilo que os outros querem ver, não o que ele deve fazer. Sim, porque, em verdade, essa estória de que todos os meus personagens têm que ter um linguajar chulo, grosseiro, não condiz com minha forma de escrever. Em verdade, todos os personagens que construo têm suas características particulares. Se se trata de uma prostituta, de um rufião, aí, sim, tem sentido que tais não tenham papas na língua...
Mas se a personagem em questão for uma pessoa culta, obviamente que esta se expressará num linguajar mais rebuscado. Além disso, se para ter meu trabalho reconhecido o preço for me adequar às exigências do sistema, estou fora, pois minha obra é uma constante oposição a tudo que nos oprime e alija de nossa veradeira essência humana.
Num dado momento, um dos presentes disse que para que nosso trabalho aconteça é necessário que façamos barulho... Que, no meu caso, meus livros têm que ser visto, analizado, que, dependendo, devo melhorá-los ou até piorá-los para que caia no gosto do público. Ressaltou que terei que utiliar palavras de baixo calão em minhas obras. A meu ver não existe nada mais abjeto para um artista que expressar aquilo que os outros querem ver, não o que ele deve fazer. Sim, porque, em verdade, essa estória de que todos os meus personagens têm que ter um linguajar chulo, grosseiro, não condiz com minha forma de escrever. Em verdade, todos os personagens que construo têm suas características particulares. Se se trata de uma prostituta, de um rufião, aí, sim, tem sentido que tais não tenham papas na língua...
Mas se a personagem em questão for uma pessoa culta, obviamente que esta se expressará num linguajar mais rebuscado. Além disso, se para ter meu trabalho reconhecido o preço for me adequar às exigências do sistema, estou fora, pois minha obra é uma constante oposição a tudo que nos oprime e alija de nossa veradeira essência humana.
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